quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Nem sei como conseguimos, aliás sei sim!

Hoje dia 05 de setembro, encontrei uma amiga querida, Denise, que acompanhou de perto nosso drama com Dani, e quando viu minha filha se emocionou muito, pois a diferença física, emocional, energética de nossa filhinha é enorme, ela torceu muito por nós, e tudo isto me fez recordar das posições em que Dani ficava,  sempre ficava sentada de pernas dobradas com os braços abraçando as mesmas e a cabeça agachada, ou deitada toda encolhidinha.
Teve um dia, era hora do almoço, hora fatídica, que chamei todo mundo, e ela não respondia, quando saio para procurar por ela, a encontro deitada em minha cama, numa posição que eu chamo de "fetal", toda encolhida, assustada, e sim magra, magérrima, ela se mal eu lembre chegou a pesar entre 20 e 22 kg, era um saco de ossos, aquilo me assustou, apavorou, mas me mantive firme, e peguei ela pelo braço e disse textualmente: que nunca mais queria ver ela assim, que ela era minha filhinha, que ela era uma guerreira, que era filha da Carmen Sonia, e que ia sair dessa, minha filha não se entregaria assim, que levantasse e viesse comer o que ela pudesse ou quisesse, e assim foi, lógico que não foi tão calmo assim, é muito stress.
O tratamento de Dani foi "full time", terapia 3 vezes por semana com a psicologa, a pediatra acompanhava ela direto via emails, telefone, elas sempre se falavam, e ao mesmo tempo que apareceram elas, corri atrás de psiquiatra também, outro dia fiz um levantamento rápido de como foi a nossa rotina entre abril e maio, e percebi que entramos e saímos de consultórios médicos mais do que em 10 anos juntos. Todos foram unânimes em afirmar para nós que devíamos relaxar um pouco, que devíamos deixar escolher se ela queria comer ou não, confesso que no início fui relutante porque se ela não comia mesmo como é que eu daria escolha ainda para ela, de deixar a vontade? nisto a própria psicologa, na mesma época que começo a terapia com ela me indicou uma psiquiatra, pois precisávamos tirar a obsessão por não comer e a depressão em que se encontrava, iniciamos o tratamento com remédios também, tudo isto demanda um tempo para fazer efeito, e nós sabíamos, mas estávamos correndo contra o tempo, pois ela estava muito fraquinha e sem vida. Eu como contei antes já tinha pesquisado sobre os centros de referência de tratamento de distúrbios alimentares, e fui atrás, no Hospital das clínicas consegui consulta particular com a Diretora do setor de psiquiatria do setor de distúrbios alimentares do HC, fizemos a consulta e não retornamos pois discordei da linha seguida, nada contra mas não era o que eu esperava para minha filha, segui com a querida Dra. Francisca, uma especialista também em distúrbio alimentar, me deu um apoio extraordinário, ligava toda semana para saber como estávamos, e sempre dizia que o comportamento de Dani era assim mesmo, que devíamos ter muita, mas muita paciência, cansei de ligar para ela chorando porque eu estava exausta, cansada, e queria orientação para não errar ou perguntar se o que estava acontecendo era o previsto para a cura de Dani, nossa como chorei com ela também, a Dra. Francisca faz parte do Cap's (Unifesp), só não fui atendida na unidade em que ela atuava porque era muito longe da minha residência e não aconselhou para acompanhar Dani lá, também foi particular, até agora o tratamento de Dani foi todo particular. Nossa realmente foi uma loucura todo este tempo, tendo que trabalhar para ganhar nosso sustento, e passar dias e dias atrás de locais, médicos, terapias alternativas etcetcetc que cuidassem de Dani, nem sei como conseguimos, aliás sei sim.
Sonia

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